MaiD | A Criada o que a série me transmitiu

ADOREI a MAID até ao ultimo segundo! Já anteriormente tinha adorado, devorado outras séries, daquelas que não consegues despegar do écran, recuperar fôlego ou deixar de pensar nelas por semanas.


Mas esta teve em mim um estimulo bem diferente, tão diferente que no domingo à noite quando terminei o ultimo segundo fiquei com a sensação de que uma mensagem maior se apoderou de MIM.


Sem aparente justificação acordei ao meio da noite e tive de escrever o que me ia na alma (acontece-me mais vezes do que eu queria) .


Escrever pensamentos e sonhos já me levaram a tomar várias atitudes das quais nunca me arrependi, por isso ouço sempre o que o meu instinto noctívago tem para me dizer.


Nesta série vemos demasiados estereótipos retratados, alguns dos quais já lidei de perto e outros que só imagino de longe.


A Violência emocional camuflada pela doença, camuflada e mal entendida ou acolhida porque se não tens marcas então não foste violentada !

Marcas físicas claro, pq as que não se vêm estão lá e sempre estarão por mais que tentes escondê-las de ti mesma!


O Alcoolismo que se esconde debaixo de desculpas, maltratando famílias!

É claro que é uma doença, mas não uma desculpa para capotarmos todas as nossas frustrações, para não vermos o outro como um espelho do nosso ódio.


Ódio que só sentimos por nós mesmos, por nos sabermos incapazes de lidar com a nossa sombra, com o nosso mundo.


Assistimos e vemos além do alcoolismo num Homem que não tem chão, só um machismo que já vêm da sua infância, do seu passado com os pais.


Ele não sabe o que é a Vida para além daquele registo! É tão cruel crescermos na camisa de forças da nossa infância, nascemos nessa camisa e raramente a conseguimos soltar.


Não porque não temos vontade mas porque não sabemos!


Na Maid o alcoolismo retratou-se no Pai e no parceiro, porque de Um espelhamos o Outro, como se não merecesse-mos mais na Vida.


Porque somos o conjunto das nossas vivencias. Assim como o Sean era o fruto da sua infância, de um pai igualmente alcoólico, de uma mãe descompensada por medicamentos que nunca O viu verdadeiramente.


Vemos nesta série como os retratos dos nossos pais nos fazem manter relações abusivas, que sabemos que estão lá mas das quais não nos soltamos porque muitas vezes pensamos não merecer mais!


Não esqueço a Alex dentro de um buraco fictício, sem forças para lutar.

Muita vezes estamos dentro de um buraco fictício porque muitas vezes não conseguimos sair, porque muitas vezes não sabemos como sair e a vida torna-se um buraco sem saída, um destino negro sem porta e acabamos por pensar que nunca seremos mais felizes cá fora!


Porque temos medo, porque nos aprisionamos na nossa zona de conforto!


A Alex mesmo fora desse buraco vivia num constante beco sem saída, com uma vida medíocre que mesmo que ela tudo fizesse para sair não era capaz.


Parecia que tinha o destino constantemente traçado de negro e que por mais que encontrasse uma saída, a saída não tinha porta só um corredor de volta.


É muitas vezes assim na vida, por mais que lutemos contra a maré acabamos sempre por morrer na praia.


Ironia ou não, a Alex era uma empregada doméstica irrepreensível, deixava as casas a brilhar, quando tudo na sua vida estava fosco, e a sua vida se desmoronava.


Outra ironia é que as ajudas que teve muitas vezes se demonstravam ineficazes, como a impotência de conseguir ter uma relação com um Home que a idolatrava e que ela não o via, porque o seu coração estava fechado.


Com a ajuda da patroa que começou por maltratá-la mas que se espelhou nela e na sua coragem consegui prosseguir o seu sonho e retomar o seu caminho do qual nunca devia ter saído.


A escuridão do seu passado e presente faziam-na dar luz a tudo o que tocava e nem assim conseguia andar para a frente, como que a sua pobreza cada vez atrai-se mais pobreza, quanto mais gastava mais tinha de gastar.


É assim na vida, dinheiro atrai dinheiro, escuridão atrai escuridão e pobreza atrai pobreza.


Como um Padrão a mãe dela também tinha sofrido de maus tratos, mas conseguia camuflar(ou retê-los sem os apagar ) debaixo daquela personalidade Bipolar, egoista, louca e em constante fuga da realidade!


Porque é assim com o Mundo!


OU encaras que a Vida te prega constantes partidas, entras e sais dos buracos vezes sem conta e continuas a luta ou te escondes debaixo de uma espiral de loucura e finges que és Feliz, vivendo uma vida ilusória de mentira fingindo que a Felicidade faz parte da tua Vida!


Beijinhos


Sandra Lico Heleno

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